Cinema + Arquitetura #4| Cidade de Deus

Olá estranhos tudo bem? em primeiro lugar quero agradecer a cada um que chegouu até aqui, e tem acompanhado  nossos vídeos e nossos textos, queria muito que você deixasse seus comentário para saber se estão gostando, ou se tem alguma crítica para nos ajudar a melhorar. Hoje vamos falar um pouco de cinema, e o filme que escolhemos foi Cidade de Deus, então vamos para a resenha.
Um dos principais filmes da história do cinema brasileiro, Cidade de Deus (2002), recebeu quatro indicações  ao Oscar, entre eles Melhor diretor para o arquiteto e diretor Fernando Meirelles,  sim ele é arquiteto mas a sua paixão pelo cinema e fotografia o levanram para o cinema! Levou tambem o Globo de Ouro de melhor filme. Sendo um marco na nova fase do cinema brasileiro, é comparado com filmes de Martin Scorsese e Quantin Tarantino.
O filme mostra a realidade de um Brasil em que muitos dos políticos preferem esconder, a questão da miséria, com pouco ou nenhum serviço, habitação precária e a discriminação da população tratados como uma peste, sendo elemento principal no enredo do filme. Muitos questionam o filme por apresentar uma realidade de forma tão explicita, espetacularizando a pobreza como entretenimento, o que chamamos de  “pornografia da miséria”. Também questionado mais tarde no filme “Quem quer ser um Milionário” (Danny Boyle, 2009), que retrata a pobreza das cidade indianas.
O filme é resumido na primeira cena, quando vemos o “conto da galinha”, uma alegoria para mostra a realidade do nosso personagem principal. Ela estava presa em meio a um churrasco, e ficava olhando para todos os lados, e via outras galinhas sendo mortas e a qualquer momento ia ser a próxima a morrer. E por alguma motivo consegue escapar e é perseguida por toda a favela, correndo pelas ruas estreitas e tortuosas até o momento em que encontra-se com “Buscapé”, nosso personagem principal e é pelo ponto de vista dele que vemos a história sendo narrada. Encurralado por “Zé Pequeno” e seus homens, neste momento a câmera dá um 360 e vemos eles cercado pela polícia também. Aí começa toda a história.
Com o corte frenético, muito rápido ele lembra muito um vídeo clipe, o que chamou a atenção do grande público comparando com os blackbuster americano, Novamente a cena inicial, demonstra esse estilo, quando vemos a faca sendo amolada, e toda vez que a faca passa, muda a cena em cortes cada vez mais rápido. A história nos é aprensentada de forma Auto Diegética, onde o narrador é o personagem principal, e nos conta a história do seu ponto de vista, como se fosse um reporte, baseado no seu ponto de vista ou no que lhe foi contado, colocando o seu ponto de vista como a verdade.
Antes de entrarmos no filme, precisamos entender o contexto histórico em que o filme se passa. A “Cidade de Deus”, nome homologo ao filme, é um projeto urbano feito pelo governo brasileiro a fim de criar uma cidade “embrião” para a população negra do Rio de Janeiro. Nos anos sessenta, logo apos a mudança da Capital nacional para Brasília. Baseada no movimento europeu pela reforma urbana higienista, quando as cidades brasileiras iniciam a construção de grandes avenidas e implantação de saneamento básico para a composição paisagística a fim de atender interesses da burguesia, do período industrial. O que acabou gerando uma segregação da população de baixa renda e proletariado, obrigando a ocupar áreas ilegais os morros e franjas da das cidades, iniciando a periferização e favelização.
Na segunda metade do século XX, o processo de urbanização brasileira cresce devido ao desenvolvimento industrial, o que agrava ainda mais por conta do êxedo rural, agravando com os problemas sociais, principalmente de moradia e consequentemente o crescimento das áreas ilegais. No período de 1940-60 a população brasileira passou de 41 milhões para 70 milhões de habitantes, com a taxa de urbanização aumentando de 31% para 70%.
Neste período surgiu o Sistema Fincanceiro de Habitação (SFH), que tinha por objetivo a dinamização da politica de captação de recursos para financiar habitações por meio das cardenetas de poupança e do FGTS, através do Banco Nacional de Habitação.
Podemos dividir o filme em três etapas: O primeiro é apresentado nos anos 60, no periodo em que a Cidade de Deus é formado. Ruas ortogonais e espaçosas, cheia de pequenas casas repetitivas planejados por arquitetos modernistas que procuram, sentados em escritórios, mudar o estilo de vida das pessoas através dos seus desenhos de cidades ideais. A cidade aparece como que no deserto, e a população vai lentamente se desencantado com a falsa promessa de uma moradia ideal, diante da ausência de oportunidades.  A polícia os mantém longe da cidade e diante do ócio e da fome começam a surgir atividades criminosas. Primeiro, o crime é justificado como um ato de revolução social, onde o pobre rouba dos ricos para sobreviver.
O Segundo momento é o final dos Anos 70, após uma série de eventos mostra também como a cidade vai mudando, as casa são mais adensadas e a população também muda. Conforme a cidade vai crescendo e a mancha urbana se aproximando cada vez mais da capital, a comunidade é tentada pelo tráfico de drogas, que vê neles a oportunidade perfeita para mão de obra barata e substituível. Por fim, a terceira parte é onde temos o climax da história, e onde dar-se o desfecho. Começam a aparecer prédios multifamiliares, que densificam a população dentro da Cidade de Deus, mas ao invés de serem a promessa de melhores condições de vida, em um esquema de condomínio compartilhado, onde todos os moradores eram responsáveis pela manutenção do espaço. No início todos os moradores gostaram do espaço, mas logo tudo caiu no esquecimento e tornam-se centros de operações criminosas. Utilizam-os como proteção, escondem-se em ruas cheias de beco, de uma malha confusa que perdeu seu traçado original.
A expansão acelerada das áreas ilegais na década de 1970 e 1980 se confunde com o colapso do sistema de crédito habitacional. As duas décadas que marcaram a explosão da moradia subnormal, coincidem com a extinção do Banco Nacional de Habitação (BNH), em 1986, e o agravamento da crise econômica que obrigou grande parte da população a continuar a instalar-se nas áreas periféricas, insalubres, sem infra-estrutura e ilegais das cidades. Esse contínuo inchaço do espaço urbano pela população rural e migratória na procura de melhor qualidade de vida e emprego levou o país a ter dados de urbanização superior aos índices mundiais, superando os 80%, e problemas de ordem social e econômica entre os mais graves, sendo na época o terceiro pior país do mundo em distribuição de renda. (Grazia, 2001).
Cidade de Deus nos narra o que aconteceu como resultado desta nova relocação, tendo como personagem principal Buscapé, um garoto comum que sonha em se tornar um fotógrafo. E é engraçado como a camera fotografica tem um papel importante na história e na fotografia do filme. No primeiro momento vemos um tom mais vermelho, com cores mais vivas, até o momento em que um fotografo está registrando um crime ocorrido no local, e é ali seu primeiro contato com a fotografia. A partir desse momento temos um salto na história, e o tom já é mais azul, mais frio, refletindo também a realidade da favela. Neste momento a cidade de Deus, começa a ser dominada pelo tráfico. A camera nos é apresentada novamente na despedida do Bené, um dos donos da Boca, gente boa, que quer largar o crime, “para planta maconha e curtir com as cocotas”. Neste momento, acontece novamente um crime e novamente vemos a mudança na fotografia do filme, já com tons mais escuros, algumas vezes quase não dando para perceber detalhes do filme, uma confusão, essa é a representação maior do caos que a cidade de Deus vivia naquele momento. A fotografia é tão importante no filme, que foi uma das indicações para o Oscar.
Fazendo analogia com a galinha, Buscapé está perdido nesse mundo e sofre de uma condição territorial curiosa, e serve para ilustrar a situação de todos os seus habitantes. Sofre o estigma de sua pele e de seu lugar de origem. Embora saia procura um trabalho honesto é tachado como ladrão. Ele não tem lugar na cidade grande. Por outro lado, por não ser verdadeiramente um ladrão dentro de sua casa é chamado de covarde e visto como uma pessoa sem valor.
Podemos compara a Cidade de Deus, como uma grande cidade Medieval, agindo como uma barreira para que estes dois mundos se unam. Onde as paredes são as casas que formam um labirinto protegido por olhares cheios de rancor que em suas mãos transportam todos os tipos de armas de fogo.
A arquitetura é peça fundamental na construção dessa história! Antes pensada como ferramenta para melhoria da qualidade de vida da população, os arquiteto moderno hoje veem o projeto com profundo desgosto. Não somente por conta das atitudes da população, mas pelo abandono da política pública. A Cidade de Deus é um exemplo claro de que a beleza, a ordem e a paz são perdidos em um mundo imperfeito e imprevisível, e toda a estrutura é suscetível à corrupção.
Então é isso minha gente espero que tenham gostado do vídeo, espero vocês na próxima semana, com mais um Cinema e Arquitetura, um grande abraço e vamos criar.
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