Aquecimento Oscar 2017 |Moonlight

Olá Estranhos, hoje que dar início a minha série de vídeos com a resenha dos principais filmes indicados ao Oscar 2017, o que eu chamei de Aquecimento Oscar 2017. Vou acabar deixando vocês na mão com relação ao vídeo do Ateliê Gourmet, para poder dar conta de fazer todos esse vídeos, mas logo logo a gente volta. Então o vídeo vai sair toda terça e toda quinta no Canal e aqui no Blog.
Vamos começar com o filme Moonlight, este filme conta a história da busca de autoconhecimento, questão sexual e superação de um jovem negro. Do diretor Barry Jenkins, até o momento desconhecido do grande publico, já começou a aparecer em grande estilo.  “Todo crioulo é uma estrela” (“Every nigger is a Star”). Essas são as primeiras palavras que se ouvem em Moonlight. A frase é, na realidade, o verso da música com o mesmo nome de Boris Gardiner, artista negro, que ironicamente usa o termo pejorativo para inflar a autoestima da própria comunidade. Mas engana-se, aquele que pensar que se trata, de um filme de gueto – embora 100% dos personagens são negros.
O filme conta em três momentos a história do menino Chiron, que tem três atores diferentes, para viver cada etapa, mas nem parece, por que eles tiveram um cuidado em escolher atores parecidos e que  conversam muito bem entre si. O filme é o que, em cinema, se chama de um verdadeiro estudo de personagem. Apelidado de “Little” (pequeno ou moleque), o tímido Chiron (Alex Hibbert, de um olhar acuado de cortar o coração) mora numa comunidade pobre da Miami da explosão do crack dos anos 1980 e, desde novo, sofre com os colegas de escola que o tacham de bicha (“faggie”) – embora nem ele mesmo, aos dez anos, saiba o que isso quer dizer (não é que o garoto dance Donna Summer no intervalo do recreio, o que, mesmo assim, não justificaria a atitude da turma).
Quando chega na adolescência (quem assume é Ashton Sanders, numa performance mais exagerada, menos sutil), a introspecção aumenta na mesma proporção do bullying. Somam-se mais dez anos a essa história e vemos Chiron como “Black” (aqui entra o ex-atleta Trevante Rhodes, ótimo em sua estreia no cinema), já líder do tráfico local. O que não muda, ao longo das três fases em que o filme divide a vida do personagem, é a busca por autoconhecimento – algo universal, inerente à vida de qualquer um, independente da cor da pele ou de com quem você se deita.
Se a gente fosse comparar com algum filme seria BoyHood, só que sem a necessidade de passar 12 anos filmando o mesmo ator. Quando a gente ver a sinopse, já pensa a questão dos padrões, que vai falar de drogas, violência e preconceito. Não que isso não aconteça, mas é sobre duvida, medo e autoconhecimento. Algumas vezes isso chega a ser até agoniante, quando a Câmera fica muito próxima, quando muito vezes que expressa toda essa angustia do Chiron.
As questões de raça e preferência sexual, no entanto, ganham contornos ao mesmo tempo simples e complexos quando transpostas para um universo essencialmente masculino. Essa é a grande sacada da obra. Se há ainda um resquício de estereotipagem na mãe solteira sobrecarregada de trabalho que usa a droga como escape (e há) –  um excelente trabalho de Naomie Harris,  o mesmo não se pode dizer do personagem de Mahershala Ali, o vilão de Luke Cage e Boggs de Jogos Vorazes,  vive uma espécie de figura-paterna para o jovem Chiron, alguém que, apesar do trabalho “fora da lei”, mostra que pode, sim, ser uma presença responsável e atenciosa. O que lhe rendeu indicação ao Oscar de melhor ator codjuvante.
Sem um padrão, a câmera é fluida (destaque para o rodopio em torno de Mahershala logo na sequência de abertura) e, quando sossega, reluta em pousar em um enquadramento óbvio (e sempre bem iluminado). O mesmo se pode – e deve – dizer da trilha que, variando da música clássica a Caetano Veloso (sim!), também recusa a trivialidade.
Impossível dizer que Moonlight a um filme de nicho, é ter a mesma atitudes dos bullies que rotularam Chiron. Como eu disse o filme mostra a alma do personagem, e falta nuance, não falta franqueza emocional, não falta solidão. Falta, talvez, uma catarse para tamanho sofrimento reprimido.

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