Outubro Rosa: Minha Experiência com o Câncer de Mama.

Olá meu povo!

Este mês de outubro é especial, é o “Outubro Rosa”. Campanha dirigida à sociedade e às mulheres sobre a importância do diagnóstico precoce do Câncer de Mama. Por isso o AG, não poderia ficar de fora e deixar de dar sua contribuição a essa campanha.

No final de 2012 houve uma grande mudança na rotina da “Família Nogueira”. É muito fácil falar da doença sempre em terceira pessoa, e muitas vezes achamos que nunca vai acontecer conosco. Mas aconteceu; e foi tudo muito rápido, tudo muito inesperado. Aconteceu com minha mãe, justamente com a pessoa que durante a minha vida toda achei que fosse de ferro, ela que sempre trabalhou muito para dar o melhor para os filhos, que, nestes meus 30 anos de vida poucas vezes a vi reclamar sequer de uma dor de dente. Talvez por isso, tenha passado despercebido no primeiro momento, até o dia em que percebeu um nódulo em sua mama direita, algo que nos chamou a atenção e mobilizou toda a família, para os exames preliminares.

Infelizmente os resultados não foram os melhores, vieram em datas não muito legais, no dia do seu aniversário, talvez tenha sido seu  pior presente. Poxa, logo a “Dona Lúcia”!, aquela que é o esteio em nossa casa. Por um momento não sabíamos bem o que fazer, e principalmente eu que sou o único dos filhos que ainda está em casa, na companhia dela. Mas ela sorriu e disse: “Vamos passar por isso, em nome de Jesus”. Sou cristão há muito tempo, e nesse dia a fé dela foi como um bálsamo em minha vida.

Passado alguns meses, o médico definiu o tratamento, oito sessões de Quimioterapia, Cirurgia e em seguida Radioterapia. Logo que começou o tratamento, com as sessões de químio, foi aquele nervosismo todo, pois é um tratamento forte, onde muitas vezes os pacientes ficam debilitados por uns dias. De cara, ela não sentiu tanto, deu aqueles enjoos normais, fraqueza, e moleza por uns dias, mas passados esses efeitos, cinco dias depois, ela já estava trabalhando. Sim, ela não parou de trabalhar em nenhum momento do tratamento, ficou firme e forte.

A consequência mais evidente do tratamento é a queda de cabelo, que acontece entre o 12º ao 16º dia da primeira dose. E sinceramente, esse foi o dia mais difícil para ela, e para mim. Na manhã do 16º dia, mais ou menos, ela comentou: “Acho que não vai cair meu cabelo”. Rimos e agradecemos a Deus por isso. À noite, estávamos somente nós dois em casa, de repente vi chamar meu nome, ela estava no quarto, e ao passar a mão na cabeça veio aquele tufo de cabelo, e foi vindo, mais e mais… Foi a primeira vez que vi minha mãe chorar em todo o processo. Ela que sempre foi vaidosa, sempre se cuidou muito, naquele momento se sentiu “roubada”, o símbolo de sua feminilidade, a prova viva que ela estava doente, de que realmente estava fazendo químio. Eu não sabia o que fazer, eu estava só com ela, vi minha heroína chorar e não saber o que fazer. Não tinha jeito, o cabelo caiu muito, e passados alguns dias, embora a contragosto, achamos melhor terminar o serviço.  Fomos ao salão para raspar o resto de cabelo que tinha.

Foi outro momento complicado. Mais uma vez não dava para conter o choro, e então resolvi fazer o mesmo; meu irmão, que mora em Macapá também raspou a cabeça para acompanhá-la nesse novo visual. Tudo bem que não tenho tanto cabelo assim, mas enquanto ela esteve careca eu também fiquei.

Durante todo o processo, ela nunca esteve só, a família, os amigos, os colegas de trabalho e da igreja, os médicos sempre deram apoio e isso foi muito importante para a sua recuperação. Em maio de 2013, todas as irmãs resolveram vir a Belém visitar minha mãe e passar o Dia das Mães com ela. Alegria geral. As irmãs conversando como se fossem adolescentes novamente, e sinceramente nunca vi tanta mulher em minha casa de uma vez só. Esses momentos foram importantes e fundamentais para que sua fé e sua força de vontade aumentassem cada vez mais.

Todo o processo da químio é difícil; há as sessões vermelhas, que causam enjoo e queda de cabelo; e as brancas, que além de tudo que a vermelha causa, dá dores fortes no corpo todo; e foi nessas que ela sentiu muito. Conforme falei, dificilmente a vi reclamar de algo, mas era horrível chegar em casa e vê-la deitada na cama ou no sofá, quase se arrastando pela casa.

Mas, passados aqueles dias de fadiga prontamente ela ia ao trabalho, como se nada tivesse acontecido, nunca parou. Passada essa primeira etapa, chegou o momento da cirurgia. Todo o processo, de químio ocorreu para que pudesse reduzir o nódulo e não houvesse necessidade de retirar a mama inteira. Mas não teve jeito, ela fez a Mastectomia (nome dada a remoção completa da mama). Não pude acompanhá-la na sala de cirurgia; quase não consegui trabalhar nesse dia. No entanto, na primeira oportunidade fui visitá-la e deparei com a cena que jamais vou esquecer: ela sentada na cama, “mutilada”, mas com um sorriso no rosto, com a bíblia no colo, tranquila, como se nada tivesse acontecido. Fiquei calado pensando um monte de coisas. Quando eu a vi, tive tanta certeza de que ela estava bem, e o quanto a fé dela estava dando força naquele momento, em que já estava fazendo planos de colocar a prótese.

Depois disso tudo, o processo de recuperação foi bem mais tranquilo. Todo aquele susto, todo o tratamento havia chegado na metade, e ela estava evoluindo bem. A radioterapia, foi muito mais tranquila, apesar de algumas reações normais, como queimaduras que incomodaram bastante. Mas já havia passado a pior fase. Hoje, minha mãe está bem, fazendo acompanhamento médico mensalmente.

Muitas outras coisas aconteceram durante o ano de 2013; e cada coisa que acontecia era para fortalecer nossa fé, a união de nossa família. Meu irmão também, passou por um problema de saúde, mas prometo um dia contar a história para vocês, pois têm capítulos a serem escritos ainda.

O câncer de mama é o segundo tipo mais frequente no mundo, é o mais comum entre as mulheres, corresponde a 22% dos casos novos ao ano.  O número de mortalidade ainda é muito alto, provavelmente porque a doença é diagnosticada em estágio avançado.

Relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta faixa etária sua incidência cresce rápida e progressivamente. Estatísticas indicam aumento de sua incidência tanto nos países desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nas décadas de 60 e 70 registrou-se um aumento de 10 vezes nas taxas de incidência ajustadas por idade nos Registros de Câncer de Base Populacional de diversos continentes.

Estimativa de novos casos: 57.120 (2014 – INCA)

Número de mortes: 13.345, sendo 120 homens e 13.225 mulheres (2011 – SIM)

O câncer de mama é uma realidade; é uma doença que, além de atacar a paciente, afeta diretamente toda a família. Nesse momento o apoio é muito importante. Ouvimos muitos casos de pessoas que entram em depressão que não têm forças para fazer o tratamento. Mas o Câncer de Mana tem cura quando descoberto no início e quando a pessoa tem apoio da família e autoestima a cura é mais rápida.

Por isso, agradecemos muito, a toda manifestação de apoio que recebemos neste ano, dos amigos, dos tios, as orações, as mensagens de carinho e de afeto. Agradecemos a “Dona Lúcia”, que foi guerreira e nos deu mais uma lição de vida, vez para os seus filhos que é preciso ter fé e força para conseguir tudo o que queremos e sonhamos. Sou muito orgulhoso da mãe que tenho. Hoje, em virtude do tratamento, o paladar dela ficou muito chato, por isso ela é minha maior crítica na cozinha. Muitas vezes não consigo agradá-la. Mas ela é o exemplo que tomo para fazer o melhor que posso tanto no Escritório de Arquitetura, quanto aqui no Arquiteto Gourmet. Espero que esta história os ajudem a tomar consciência da importância do diagnóstico precoce do câncer de mama. Um grande abraço, meus amigos e até a próxima.

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6 respostas para “Outubro Rosa: Minha Experiência com o Câncer de Mama.”

  1. Mano, apesar de vc ser muito chato, sempre soube que é muito sensível! 😛
    Parabéns por continuar honrando sua mãe, especialmente nesse momento, de uma maneira tão linda. “Estou muito orgulhosa de vc!”, rsrsrs…
    Deus é sempre fiel, e não desampara os seus. As vezes não conseguimos entender os planos do Senhor, mas devemos lembrar que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam…”. Permaneça firme, que Ele vai te surpreender.

    Vcs estão em nosso coração. Muitas saudades!!!

    Curtido por 1 pessoa

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